Feb 22 2007
Nasceu no dia 17 de maio de mil novecentos e… deixa pra lá, não gasto uma fortuna em creminhos rejuvenecedores para ficar dizendo a idade, em Santarém (mocoronga sim, e daí?), no estado do Pará. Primeira e mais amada única filha do então sargento da aeronáutica Wagner e da D. Wanilza. Ao completar 1 ano de idade muda-se para a capital paraense, Belém. Na tentativa de ter mais uma maravilhosa criança como eu, mamãe fica gravida novamente. Nasce meu irmão Antonino Neto. Bom, não deu… um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.
Teve uma infância maravilhosa de pé descalço (quem me fazia usar sandálias?) nas ruas do Conjunto Jardim Tropical. Trepou em todas as árvores, eu disse ÁRVORE, do Conjunto que naquela época, ainda eram muitas. Chupou FRUTA do pé. Tomou banho de chuva, brincou na areia. Teve piolho, bicho de pé, frieira e curuba. Mas nunca quebrou um braço, perna, nada. Quer dizer, quebrei a cabeça, quatro vezes, mas foi só. O que são uns pontinhos, 25, no cocoruto? Meu irmão, Neto quebrou o braço quatro vezes. E arrancou o céu da boca com um cano brincado de zarabatana. Eu? Sempre comportada.
Aos cinco anos (foi cinco, mãe?) passa a frequentar O Mundo Encantado da Criança, sua primeira escolinha. Daquela época só tem lembrança do lanche, pão com café (na minha época criança tomava café) e da professora Terezinha. Aos sete anos sua galopante miopia é descoberta e passa a usar óculos, como se o mundo já não fosse bastante cruel!! Aos oito anos vai cursar a segunda série no Instituto Bom Pastor, onde fica até a sétima série. Anos mais tarde formada como professora volta a essa escola para assumir uma turma de alfabetização, sua paixão! Essa também é a última escola em que leciona antes de ir para Alemanha.
Ao ingressar no Colégio Gentil Bittencourt, na oitava série, tornou-se a adolescente mais comportada e dedicada aos estudos da face da terra. Nunca faltou aula, nunca tirou nota baixa, nunca respondeu para a mãe e o pai, muito menos mentiu que estava fazendo trabalho na casa de colega quando na verdade estava em Icoaraci tomando água de coco. (dá um tempo mãe… Johan tá lendo isso também). Nessa época quis fazer um curso de modelo, manequim, maquiagem e dança. Alguns dias depois estava matriculada no Yazigi. “Baixa teu fogo que é isso aqui que trás futuro”. Ah mãe… valeu!
Em 1990 assume sua primeira turma na Casa do Pinocchio. Aquele foi um ótimo ano, mas égua como eu era imatura. Em 1991 passei no concurso do estado e a realidade de escola pública cai na minha cabeça na forma de Curunçambá. Um bairro perdido no buraco do tatu onde funcionava a escola que fui trabalhar. Era quase uma escola rural: ônibus até certo pondo, depois, pernada. Na lama ou na poeira dependendo das chuvas.
Nesse meio tempo presta vestibular para Engenharia Civil, Contabilidade, História e Magistério. Não passa em nenhum e mundiada* por um boto e em 1993 dá a luz a um príncipe chamado Johan Guilherme. O estudo fica meio de lado, mas o diploma crescia lindo e feliz.
Grávida me senti a mulher mais poderosa do mundo. Era como se eu tivesse o rei na barriga. AMEI aquele barrigão e a sensação de ter outro ser crescendo dentro de mim. Não lembro de ter sentido nenhum desconforto super desconfortante. Johan nasceu dia 1º de maio de 1993 de parto normal com episio e Kristeller. Na época não sabia, mas aquele seria um momento único na minha vida como mãe-mulher. E eu precisei de 12 horas pra colocar o menino de 3.400kg e 49cm no mundo, dou porrada em quem disser que não foi!
Quando a internet entrou em sua vida, quer dizer, na verdade ela arrombou a porta e fez morada, o mundo veio junto na forma do IRC e ICQ, programas de bate papo. Num deles conheceu um publicitário e foi trabalhar pra ele desenvolvendo sites. A carreira de “web-disigner” durou pouco mais de um ano e meio. Em outubro de 1999 conheceu, pela internet um alemal, mal, mal, muito mal que com uma clava na mão me arrastou pelos cabelos até a Alemanha e me obrigou a casar e ser insuportavelmente feliz.
11 de abril de 2000 meus pés pisam em solo europeu pela primeira vez. Deixei a vida no Brasil “suspensa” para o caso de voltar a qualquer momento. Mas quando vi os olhos do Bernardo no dia do nosso casamento, 17 de maio, dia do meu aniversário, soube que nunca mais voltaria “aquela” vida. Uma nova iria começar.
Obs: sim foi tudo rapidinho assim. Em menos de seis meses estava casada e morando em outro país. Se fosse parar para pensar e ponderar não teria feito. Era ou vai ou racha. E estamos indo, muito bem obrigada, até hoje. Porém, não aconselho ninguém a fazer. Por que? Porque hoje, depois de conhecer “ao vivo” milhões de histórias, vejo que fui um exceção.
Da união Ciça e Bernardo nasceu em 25 de marça de 2003 Manrique Carlo Donner. Gravidez acompanhada por meio (fala arrogância) mundo virtual através de seu site www.cissinha.de. Mais uma vez bela, barriguda e poderosa. Dessa vez com alguns desconfortos, mas nada que tirasse o brilho desse momento único na vida de uma mulher: o de gerar vida! Manrique nasceu de uma cesariana porque empoderamento demora e quando esbarra na teimosia e ignorância, demora mais ainda. Foi um mal necessário para acordar e fazer alguma. me engajei na luta pelo Parto Humanizado no Brasil e estudo até hoje esse evento único na vida da mulher.
2005 foi o ano que não deveria existir: depressão, desilusão, decepção e vesícula transformaram a vida em um inferno total. Desse episódio tira tristes lições de como o ser, dito humano, pode ser tão animal e passa a acreditar na maldade humana. Sem muita opção, com ajuda de Deus, os amigos virtuais e os poucos reais, levanta sacode a poeira e tenta dá a volta por cima.
Em abril de 2006 Bernardo assume um cargo em uma empresa de grande porte na Alemanha e financeiramente a coisa começa a se estabilizar. Faltava só o espírito. Um dia ele chega em casa e diz: “Vamos mudar para a França”. Era o remédio que faltava. França? “Mon amour, toujours, la famme. Voulez-vous coucher avec moi ce soir?”. Ai como era gostoso meu francês…. opa… para! Abafa o caso! E assim, em setembro do mesmo ano aportamos em território francês. São somente 10 km da fronteira, mas e daí? Até explicar caboquinho já me ve morando de frente para a torre Eiffel.
A compra da casa não foi tarefa fácil, mas se for contar isso agora essa página vai virar livro. A Maison Rose é hoje nossa morada, nosso lar e a França nossa terceira pátria.
*do Papachibénez: encantada, enfeitiçada.
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Em 2000 sai de Belém para Alemanha, fronteira da França. Em 2006 cruza a fronteira e se estabelece em um pequeno vilarejo frances. Mãe do Johan Guilherme (16 anos) e Manrique Carlo (6 anos), esposa dedicada (é?) e feliz. Ex-professora atualmente trabalha como executiva (executando tarefas domésticas), blogueira e objeto sexual do marido.
















Égua 102 pitacos. Já é de casa.
Manazinha, realmente vc teve muita sorte em ter encontrado na internet uma pessoa tão legal… mas vc merece!!!
Adorei o novo site, está muito lindo e muito rosa!
Beijos
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ai, estou aqui emocionada… Ainda não conhecia essa história LINDA! Sabia que estudei no Gentil a vida inteira e que meu inglês tb é by Yazigi???
Só fiquei imaginando o Curuçambá, que se hj ainda é muito distante e carente imagina uns anos atrás…
sinta-se abraçada
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Égua 145 pitacos. Já é de casa.
Emocionante, eu nao sabia de toda esta estória. O que é curuba? E zabaraitana? Lindas suas fotos. O Johann é filho de boto, menina, e eu nao sabia. Penso q o Bernardo lhe fez e faz muito bem. Olha a cara de felicidade com a barriga do Manrique! Bjs
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Égua 80 pitacos. Já é de casa.
ÉÉÉÉguaaaaaaaa da vida!
Hahahaha… tô me espocando de rir
Também sou taurina (só que do dia 7), estudei no Gentil metade da vida escolar. Ainda tenho pesadelos com freiras no meu encalço – mestra Oneide e Cecília principalmente!
Também mudei tudo na minha vida por amor e em 5 meses (!!!). Enfim… a vida é menos original do que se imagina!
Espero teus próximos capítulos sejam tão emocionantes quanto esses que contaste aqui!
Beijoks
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Tem 10 pitacos por aqui.
Ser insuportavelmente feliz é bom demais, quebra barreiras, cala qualquer um.
Linda história, vapt e vupt e tudo deu certo.
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Tem 46 pitacos por aqui.
Cissa, para tudo to confusa…
O Bernardo é pai de quem???
hahaha bjks
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Fiquei apaixonada pelo seu blog totalmente cor de rosa! E achei muito bacana a sua história.
Um abraço.
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Nossa que história, estou muito surpresa que pensei que esse tipo de história não era real .Estou vivendo uma que nem a sua, agredeço muito por sua observação de cuidados.Conheci um angolano que mora na alemanha a 22anos e vai fazer 5meses que nos relacionamos pela net, mais não se preucupe já tenho todas as informações possiveis a respeito dele.Estou resolvendo toda minha vida aqui em Belém para que eu possa já ir para a Alemanha com visto para casamento
Escrevi a vc um elogio sobre o site viver na alemanha, sou sua conterranea.
Parabéns pelo site e um forte abraço !
Ana Alice.
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Ana Alice
Quando?
November 28th, 2007 as 8:10 am
Como vai ? depois de tanto tempo sem entrar em seu blog, estou eu aqui na alemanha na cidade de Chemnitz, desde 19/11 claro näo poderia deixar de passar o círio em Belém para homenagear nossa padroeira.
Gostei bastante do seu blog e näo poderia deixar de contar ou terminar de contar um pouco de minha história , que bem parece um pouco com a sua como dizia vim até a Alemanha conhecer meu grande amor e para minha sorte digo assim deu tudo certo com tanto tempo de contato só pela net , chegou o nosso dia como ele próprio dizia o dia da verdade .Estou sim muito feliz e estamos fazendo o possivel para se concretizar esse relacionamento com o casamento , näo sei se vamos conseguir a tempo, sendo que vim prá cá com visto de turista q no máximo que posso ficar aqui é apenas 3 meses e encerram em janeiro .Aqui encerro darei em breve noticias e se possivel for gostaria de ouvir de sua parte um comentário. Um forte abraco e desculpe os erros de digitacäo é que ainda näo conheco direito esse teclado alemäo rsrsrsrsrsrs.
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Mulé, que super jóia a sua história assim, versao condensada. E eu que vi uma boa parte disto tudo acontecendo e posso dar fé que é tudo verdade. Que legal e quem sabe eu possa vir mais vezes acompanhar, agora de longe, mui distante, suas novas aventuras? Parece que desta vez vai! O clã dos Barrigas-Verdes te manda um abraçao e espera que aquele teste de gravidez seja t-e-u!
bejim!!!
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Mulé,
te escrevi um comentariozão e nada do quengo sair aqui… sapato. Bao, resumindo é que eu achei ótimo ler tua história condensada e saber que pelo menos da parte que tu veio, nao, que tu foi pra Alemanha eu pude acompanhar de perto e agora tento acompanhar assim de longe suas façanhas. Espero que aquele teste de gravidez ali seja TEU! :c) O clã dos Barrigas-Verdes te manda um beijao!
Nós 4
(eu com eles)
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Oi Ciça!!!!
Amei teu blog, as pérolas, sua hitória…quando li a palavra égua tive certeza de que era parense..srsrrss
Sou de Belém, mas só morei lá os primeiros 4 anos de minha vida…vou lá sempre que posso, meu avô morava em Santarém!!!
Beijim
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Esse é seu primeiro pitaco
Oi Ciça,
Parabéns pelo seu blog ! Nao é a primeira vez que “dou uma olhada”, mas a primeira que deixo um pitaco… Acho muito legal a forma como vc escreve – é divertidíssimo.
Bjs
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Olá Ciça, pulando de blog em blog, alcancei o seu e estou apaixonando pelo seu jeito de escrever e contar sua vida.
Pois vc tem um filho de boto? que interessante
Sou de SP e aqui não tem boto não rsrsrsrs.
Posso te acompanhar?
Bjks
Marcia
>:D<
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Ciça, adorei ler sobre vc! temos uma coisa em comum: conhecemos nossos maridos pela internet! um bjo.
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Égua 89 pitacos. Já é de casa.
Adoreiii saber um pouco mais da vidinha. PARABÉNS pelas conquistas vc merece.
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Esse é seu primeiro pitaco
Arri Égua! AMO ler seu blog.. dificilmente comento por preguica… hahaha.. tomara q as leitoras do meu nao leiam isso e comecam a dar essa desculpa também.. (((-:
Sua história é fantástica e seu blog uma injecao de ânimo na vida de qquer um q cai por aqui!
Bjks e ótimas festancas ai na terrinha! Eita saudades! Má.
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