Archive for the 'Coisas que só acontecem comigo' Category

Dec 21 2009

Saudade do GPS

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Coisas que só acontecem comigo:

Pegue sua mãe, irmã, filho e afilhada, meta no carro passe no Líder da BR compre uma galinha assada, para ser consumida com a farofa e o arroz quentinho feito de madrugada, bebidas, biscoitos e rume a Mosqueiro.

No meio do caminho pare no Goiano, tome café com biscoito de goma ou pão de queijo a R$ 1.50, volte para a estrada e siga em frente!

Quando você chegar em um pórtico escrito BEM VINDO A CASATANHAL, pare e pense na possibilidade de haver algo errado, já que Castanhal fica pra outro lado. Pergunte no posto policial mais próximo…

- Seu guarda, eu estou querendo ir pra Mosqueiro. Será que errei o caminho?
Seu Guarda tentando segurar o riso…
- Um pouco senhora… volte pela mesma estrada que veio uns 30km e a Senhora chegara a entrada pra Mosqueiro.
- 30km? Égua mãe e irmã… vcs são duas panemas!
- Eu sabia que iam acabar errando o caminho.
- Mas a gente só vai pra lá com quem ja sabe o caminho. E tu lesa… foste pra lá dirigindo em 2007!
- Sim… mas já mudou tudo aqui e esse carro é de Fortaleza.

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Dec 13 2009

Cumulo das coincidências!

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Como diz a Ma: quer fazer Deus sorrir, faça planos.

Desde setembro eu planejava passar quatro dias enlouquecidos em São Paulo e depois embarcar para Belém chegando no dia do aniversario de 60 anos da minha mãe, sem avisar, e entrar na festa com um enorme buquê de rosas na mao.

Tudo estava correndo maravilhosamente bem, Sao Paulo foi delírio puro, mesmo Manrique tendo uma crise de asma no meio do caminho mas ao chegar em Belém, meu pai, onde planejei me esconder ate a hora da festa, esta passeando no shopping ao invez de em casa.

Ok… fui ate o shopping me encontrar com ele, algo muito sacrificante… shopping… eca!

PAUSA
Tive de pedir a um passante para falar com ele ao celular e assim acreditar que eu estava no Brasil.
DESPAUSA

Depois de algumas voltas no shopping com quem dou de cara? COM O RESTO DA FAMÍLIA.. por pouco minha mãe não me viu, mas meus tios (estão todos aqui) viram e quase me bateram por nao ter falado nada!

Egua manos, falaserio… qual a probabilidade de uma coisa dessas acontecer? Em Belém do Para, MUITA mesmo assim fiquei rosa-cha… na verdade fiquei foi com cara de cu!!!

Coisas, que so acontecem comigo!!!!!!!

P.S- Caso ainda nao tenha entendido… EU TO NA TERRINHA. Me passa uma msg pl formulario na aba ali em cima que se voc`e for gente boa, vou te encontrar!

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Aug 03 2009

Ciça Blair

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Senta que estou inspirada…

Um dia, no fim dos maravilhosos anos 80, eu então uma menina-moça, ainda menina e muito moça, fui com umas amigas finas e ricas (mana, tu conheces todas… depois te falo) a lanchonete e restaurante das meninas finas e ricas de Belém do Pará.

Na época Belém não tinha shopping, e a gente tinha de arrumar um meio termo para não enlouquecer os pobres de nossos pais que nao queriam suas virgens e puras filhas soltas pela cidade, apinhada de boto. Magras, com as carnes todas duras e sem celulite, nossos programas eram lanchonetes/restaurantes para meninas finas e ricas, onde hambúrgueres eram comidos com garfo e faca e custavam o dobro do vendido na barraquinha da esquina do colégio.

O dia era perfeito: todas estavam felizes porque havíamos recebidos nossos boletins. Todas… menos eu com um berrante 4.5, vermelho que só a porra em matemática! Égua… mamãe ia arrancar meu cabaço com o grito quando soubesse. Eu estava no chão e aproveitando o ensejo, a amiga rica, fina e enjoada, única dentre nós possuidora de um cartão de credito dependente do papai, o que a tornava (aos olhos dela) a Paris Hilton tupiniquim, me olha de cima a baixo, com uns “zolho” de Seca Pimenteira, e diz:

- Tu vais assim?

A tarde prometia… triste e agora puta da vida, fui: jeans, camiseta da FATO (ainda existe?) e tênis preto com um cadarço rosa e outro amarelo fluorescente. O máximo que fiz para amenizar a vergonha dela foi passar um batom BokaLoka vermelho “mamãe não deixa” de longa duração!

Da lanchonete/restaurante fino e luxuoso (mana agora tô lembrando uma coisa… ele virou bordel alguns anos depois… depois que deixei de frequentar, é lógico) pouco tomei conhecimento… só lembro de ter feito o que toda adolescente normal e magra deve fazer nessa hora: comer. Apoiada pelas amigas a dizer “Quando eu tirei 4.0 em química também joguei toda minha frustração na comida. Minha terapeuta disse está tudo bem, desde que não abandone meu personal training”. Pedi quase o dobro de comida delas e comi até  ouvir a Seca Pimenteira dizer “Ela vai acabar baldiando”… aquela uma ganhou “de grátis” minha simpatia para o resto da vida.

Enquanto ela chamava atenção do garçom com caras e bocas de cocota (ainda se fala assim?) dizendo que nós estávamos sem dinheiro e eu tentava me esconder atrás de um copo de Coca-cola, um pedrinha de gelo escorregou pra minha garganta provocando, o que? Exato… um belo fluxo de vômito, ali mesmo, na frente de todos, inutilmente contido com todos os guardanapos existentes a mão.

Na corrida até o banheiro, com todas as meninas atrás, menos a Seca Pimenteira que ficou na mesa e deve ter, calma e placidamente tirado sua agenda da bolsa e riscado para sempre meu nome dela, fui deixando um rastro cor de rosa pálido, quase salmão, provavelmente resultado do delicioso sorvete de goiaba com calda quente de caramelho!

- Ela fez de propósito, para chamar atenção de todos.

Fofa… eu, sempre avante de meu tempo, acabava de inaugurar a era bulimia em Belém do Pará!

Juntei o restinho de auto-estima que ficou em mim, a maior parte estava para apreciação pública no meio do restaurante, e sai pelos fundos… entrei no taxi banhada de lágrimas e perfumando o ar, até o apartamento de uma delas onde papai me buscou já de banho tomado e roupa trocada. Cara de sorte!

Entre a vergonha e a humilhação publica, porque lógico, no dia seguinte Seca Pimenteira tinha contado a todos minha imitação de Linda Blair no “O exorcista” (égua se sobrevivi aquela é porque realmente não tenho tendencia suicida), mamãe não me deu a pisa merecida por conta da nota baixa (oh mana, mas também… nas “ascondição” que tava). Recuperei a desgraçada no bimestre seguinte e fui comemorar no restaurante/lanchonete fino e chique, SIM… tinha presença de espirito o suficiente para isso… e um balde estrategicamente deixado as minhas vistas pelo garçom… povinho de memoria boa!

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Apr 01 2009

A égua na escola!

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Lá em casa meu irmão era o inteligente e eu a esforcada. Era a forma doce e meiga do povo dizer que eu era burra e ele inteligente.

Eu era problemática: agitada, inquieta, desconcentrada… passei pela alfabetização e pela primeira série sem conseguir aprender a ler e escrever. Foi quando minha mãe se tocou de “tão tapada ela não pode ser… eu sou letrada, pai idem. O irmão, o sonho de toda professora só tira 10 e 9,5, aprendeu a ler e escrever quase sozinho… vou leva-la ao médico. Não… não o psiquiatra, o oftalmologista”. Tapada era eu… mamãe não!

O diagnostico foi uma miopia galopante beirando os 4 graus, isso aos 8 anos de idade! Dilicia…imagina a cena: a UNICA “quatrolho” da escola. Quatrolho E analfabeta. Alguns anos mais tarde também fui a primeira em TODA A ESCOLA, a usar aparelho nos dentes. Égua deve está ai a explicação para o fato de eu nunca ter passado no vestibular: TRAUMA. Se eu tivesse tido de usar aqueles coletes para coluna não teria nem terminado o segundo grau!!!

Quando entrei na quinta série a coisa complicou. Já não era mais a “quatrolho analfabeta”, mas era a “quatrolho filha da professora”. Potaqueparilis… tem carma pior?

- Tirou nota boa? É porque é filha da professora!
- Nota ruim? Mas espia… e é filha da professora!
- Será o anjo do presépio? Ah, só porque é filha da professora!

E atenção, minha mãe só foi ser MINHA professora na sétima série, porque não teve para onde fugir. Égua da vontade de sentar um murro no povo. Mas eu não podia mijar fora do caco que mamãe tava atrás de mim… imagina responder provocações. Eu tinha de ter um comportamento exemplar! Trepar na ameixeira, pular o muro da escola, colar na prova eram atitudes inaceitáveis da filha da professora… E NUNCA FIZ NADA DISSO! :^o

De saco cheio da sina de ex-analfabetaquatrolhofilhadaprofessora e já pensando em fazer magistério, mudei de escola me ajoelhei aos pés de minha mãe e literalmente IMPLOREI por uma lente de contato. Ah não manazinhas. Seria uma vida escolar nova… novos amigos, nova reputação… a sina de analfabetaquatrolhofilhadaprofessora iria acabar alí (até porque já estava de aparelho nos dentes e seria muita coisa)!!!

Primeiro dia na escola nova:
- Atenção para a chamada: Ana, Andréia, Bianca, Ciça Andréia… ah, é você a filha da Wanilza? Ela me ligou avisando que você seria minha aluna. Lembra de mim? Eu e sua mãe estudamos juntas na universidade. Você era desse tamaninho, usava óculos e maria-chiquinha!!

:steine: :steine: :steine: pois é né? Tem coisas, que só acontecem comigo!

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Mar 19 2009

Da série: coisas que só acontecem comigo

da-serie-coisas-que-so-acontecem-comigo

Não sei se cheguei a comentar que andei me estranhando com um pai da escolinha. Briga de transito… <ironia>coisa rara aqui na França</ironia>.

O leso parou atrás de mim em um cruzamento em obra e não deve ter visto o sinal, também conhecido como farol,  vermelho pois ficou buzinando e fazendo gestos para eu avançar. E tanto fez, e tanto reclamou, e tanto gesticulou que eu subi na calçada de deixei ele passar.

Mais tarde ele foi tomar satisfações comigo na escolinha, DENTRO da escola, na frente de todo mundo. Manazinhas, eu mirei o desgraçado, lancei-lhe um olhar de seca pimenteira e disse em alemão: “Te espero lá fora”. O “lá fora” não preciso nem dizer o que rolou, né? Eu empeitando o pequenozinho de dois metros de altura, por três de largura em alemão, inglês, português, espanhol, e se bobar devo ter dito uma ou outra coisa em árabe  aprendido na minha aula de francês. Mas na classe… porque sou Madame, o chão estava congelado e eu usava minhas botas de salto fino! (se corresse cairia)

Ok… passou!

Hoje, um sol lindo lá fora, recebo a ordem do Sr. Bernardo para ir resolver um pendência nossa no tesouro público aqui na França. O documento, uma taxa a ser paga, foi e voltou três vezes sem dizer o que era.

Chego lá, linda, leve, ruiva e magra, pergunto o que era aquilo e o pequeno, em francês, me diz ser uma multa. Tá, mais de que? E roda daqui, roda pra lá, sobe escada, desce escada, vai em um setor, vai em outro (isso lembra alguma coisa ai povo do Brasil? Viu? eles nao são tão primeiro mundo assim não… na Alemanha tinha resolvido tudo com um telefonema), até que o pequeno vira pra mim e diz:

- Olha, isso é uma multa e a Senhora tem de pagar.
- Pago sim, mas primeiro vocês vão ter de me dizer que multa é essa!
- Um momento, vou chamar nosso chefe!

Preciso dizer quem era o chefe? Potaqueparilis… :steine:

Ok Ciça Andréia… não se intimide… ele não pode deixar uma coisa que aconteceu em sua vida privada interferir no trabalho dele. Você está aqui como uma cidadã francesa… não… égua nem pra isso presto! Ok… uma moradora honesta que paga, ou pelo menos tenta, pagar suas contas em dia! Respira fundo…. :) )

- Se a Senhora não pagar não tem problema. Fica ai acumulando juros – mas rapidinho o veado aprendeu alemão! Que meigo! :-&)
- Não disse que não iria pagar, mas quero saber o que estou pagando.
- Multa…
- Multa de que maninho? De transito? Por não ter passado o sinal vermelho? - pronto, pensei: tô fudida!

Fiquei mais trinta minutos esperando do lado de fora da sala até ele voltar com um canhoto onde dizia que aquilo era uma multa por ter pago o imposto de habitarão atrasado.

- Tanto trabalho pra isso. Se pagou o imposto de habitação com atraso, deveria saber ser disso a multa.
- E se vcs combram, deveriam saber O QUE.

Perdi metade do dia lindo de sol por conta desse peidado. Mas tudo bem, no caminho de volta recebi dois convites pra tomar café e uma proposta de compra para o carro… quer dizer, eu acho que era pro carro… com certeza era o carro. O cara parou no meio do cruzamento (tá vendo? típico francês!) ficou fazendo gestos apontando pra mim/carro e dizendo “15 mil” . Tudo isso só pra “dar umazinha” comigo é que não era!!! Tão boua assim não tô!! =P~

É por isso que apesar de tudo ADORO esse país!

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