Apr 29 2005
Um caso de amor e ódio!!!
Essa sempre foi a maior das contradições terrenas por mim personificadas. Eu a odiava… nossa, só Deus sabe o quanto eu a odiei. Desde quando?? Desde sempre, desda infância, agravando-se na pré-adolescencia explodindo com a puberdade. Foi nessa época que nasceu o desejo insano de retalha-la em mil pedacinhos, na verdade esse desejo existe até hoje, controlado, mas existe. Tentava ignora-la, fingir que não estava lá. Mas como ignorar alguém que estava sempre encangada em mim destruindo minha forma, minha auto-estima, me rotulando “A magrela de perna fina, bunda seca, peituda, bacia ossuda e barriga pelhancuda??” Agradeço a Deus ter sido aquela a época dos blusões para fora da calça e não as barriguinhas de fora, caso contrario, estaria eu na rabeira da “cadeia alimentar”. Como se auto-afirmar gente com essa barriga horrorosa??
Biquíne??? Uma vez ganhei um, vesti, empinei a bunda, tufei o peito, encolhi a barriga (claro) e fui a praia, em Soure, na Ilha do Marajó ao melhor estilo “Eu me amo. Eu sou o máximo. Não estou nem ai para o que vc está pensando”. Arrumei um paquera, vejam só. A auto-sugestão funcionou. No barco, de volta a Belém, ele me solta essa: “Sabe que eu não te achei bonita? Mas estou satisfeito de ter ido atrás de você lá na praia”. “Claro que não achou bonita, com essa barriga, como poderia”. Essa última ele não disse, mas nas conjunturas, nem precisou. Sempre que ele ligava lá em casa, eu estava tomando banho.
Ao sair da adolescência, com mais controle de minhas emoções, e menos hormônios no corpo, consegui aos poucos transformar o ódio em raiva. Meu irmão foi uma peça essencial nessa transformação: “Fica tão preocupada em esconder a barriga que esquece a bunda, ou a falta dela”. Bom, pelo menos a bunda fica pra trás e eu não estou vendo!!!
Quando fiquei gravida do Johan, em fim, fizemos as pazes. Ela se comportou com primor enquanto eu brincava de Deus, guardando o ser mais precioso do universo… a minha imagem e semelhança, meu eu fora de mim. Eu tinha 19/20 anos (não façam as conta, por favor) e sentia todo o poder da criação centrado no objeto de meu corpo a qual tanto odiava. Quanta ironia. Ela ficou linda, enorme, iluminada, sem uma única estria. Vitaminada, comunguei com o mundo esse encontro com meu corpo. E foi com esses sentimentos transbordando por todos os poros que eu carreguei aquela barriga, que entrava nos recintos primeiro que eu, com todo orgulho!!

Com a gravidez do Manrique tudo se repete, e dessa vez, talvez pelo amadurecimento, as emoções são mais intensas e não só o mundo real, mas o virtual também foi invadido por aquela barriga. Exagerei um pouco, pode ser, quem lembra do site na época da gravidez do Manrique sabe bem, mas não importava, era nosso segundo momento de reconciliação. Novamente estava poderosa, linda e iluminada e comungava com minha barriga a paz. Pobre daquela mulher, que por um motivo qualquer da vida, quando gravida não se sente assim.
Hoje, quase 12 anos depois da primeira experiencia e um pouco mais de 2 anos da segunda (parem de fazer conta por favor!!!), me dou conta da evolução dentro de mim. Já não sinto mais ódio, só uma pequena raiva. Custava ela ser menos pelhancuda? E quando penso em corta-la em pedacinhos, em minha mente vem cirurgião plástico, anestesia, bisturi e não motosserra ou peixeira como antigamente. É, acho que realmente evoluímos, eu e minha barriga. Ela mais do que eu, antipática!!! Mas por ter abrigado dois pedaços de mim, merece meu respeito… deixa eu ter dinheiro que faço uma plástica com todo o respeito nela!!!! hehehehehe
Deve está tendo alguma competição na net, ou o Codigo da Vince se tornou leitura obrigatória do vestibular. Muita gente está me pedindo um resumo dele. Eu só tenho o que está publicado aqui e no Jogo do Livro. Se alguém tiver outro, passe para essas pessoas: eduardo@joc.br.com, osvaldecir@yahoo.com.br, ba.mulata@bol.com.br
E chega de livros sérios. Não aguento mais pensar formar, reformular e afirmar conceitos. Agora, vou pegar as duas preciosidades, que Johan e Manrique ganharam de lembrança no niver da Belinha e vou le-las como nos velhos tempos, ou melhor ainda, pois nos velhos tempos, que nem tão velhos assim são, tinha minha mãe, irmão, pai, tia, gato cachorro, papagaios e periquitos batendo na porta querendo entrar. Agora que tenho o poder, mando todos a merda para ler, como e onde bem me agrada, minhas revistinhas da Mônica. Vocês devem está rindo e me achando louca, bom, não deixa de ser verdade, mas verdade também foi a felicidade de ter nas mãos novamente esses quadrinhos 100% brasileiros e MUITO BONS. Eu tinha uma boa coleção. Minha tia era apaixonada pelo Chico Bento e não perdia uma edição. Saudades… o niver foi da Belinha, mas quem ganhou um presentão fui EU!!!
Continuo não lembrando o que mais eu tinha de esclarecer, mas pelo menos estou lembrando de agradecer ao meu querido
- Você deixa seu trabalho, sua família, amigos, vai embora para a Alemanha, casa comigo e a gente manda buscar o Johan.
Em 2000 sai de Belém para Alemanha, fronteira da França. Em 2006 cruza a fronteira e se estabelece em um pequeno vilarejo frances. Mãe do Johan Guilherme (16 anos) e Manrique Carlo (6 anos), esposa dedicada (é?) e feliz. Ex-professora atualmente trabalha como executiva (executando tarefas domésticas), blogueira e objeto sexual do marido.















