May 27 2005
Baixa Isaura….
E não foi preciso nem cantar pra ela descer… desdo dia anterior o Espirito da escrava Isaura estava dando sinais de que iria incorporar. Ela sempre baixa quando estou puta da vida. Com o carro quebrado, sem grana para arruma-lo, e o mecânico amigo da família cheio de coisas a fazer, é o cenário perfeito. Cedo lá vem ela, escuto a famosa musiquinha: “Le, le, le, le, ie le, le le le le” (que coisa mais ridícula ficar tentando escrever a letra dessa musica pra vocês) e o estalar do chicote no lombo. E lá vamos nós…
Sala: tira tudo da estante. Afasta os móveis para aspirar atrás deles. Vai tirar a teia de aranha das luminárias. Limpa os vidros das janelas e tira o resto dos enfeites de natal do ano retrasado da parede.
Banheiro: mete a cara e o escovão no vaso sanitário. Esfrega banheira, paredes, chão. Tira todos os enfeites da parede (sim a parede do meu banheiro tem enfeite… um monte de peixinhos de madeira que trouxe do Brasil) para limpar.
Quartos: “- Johan pode deixar que o teu, hoje, é comigo”. Tira tudo de dentro do guarda-roupa. Roupa de inverno, para o porão. TODOS os brinquedos em seus lugares. Tira colchão da cama, aspira o estrado. “- O que essas coisas estão fazendo em baixo da cama?? VAI TUDO PRO LIXO… epa, espera… são minhas, deixa ae”.
Cozinha: bundão pra cima esfregando o chão BRANCO (eu mato o filha da mãe sem pai que teve a idéia de colocar PVC branco nessa porra). Arruma e limpa os armários, também branco (desgraça pouca é bobagem). A quanto tempo não limpo esse forno?? Graças a Deus a geladeira tá vazia, fica mais fácil de limpar. “- Não adianta se rebelar… só paro de esfregar quando tu sair daí sua mancha de gordura”.
Balcão: claro que vai entrar na dança… com esses dias de sol, ele tem de tá limpinho. “- Pega o esfregão do zelador lá”. Nossa, o chão aqui é bege e não marrom… credo, mas a água tá preta!!!
Escritório do marido: PARA TUDO… canta para a Isaura subir. Não vá mexer lá. Não interessa se é a parte mais suja da casa, deixa o “lugar do homem” pra lá…
- Só essa papelada espalhada aqui. / Deixa essa porcaria ai.
- Mas olha só quanta poeira / Tá em cima de ti?? Então larga mão.
- Eu vou limpar de recolocar tudo no mesmo lugar. / Puta que merda, já não falei pra não colocar a mão??
- Tá com cheiro de mofo. / Prende a respiração e vai embora.
- Tem 30 xícaras de café lá / Tem mais na cozinha.
- Vou passar só um aspirador no chão / Carai, larga essa porra!!!
- Não sei como encontrar alguma coisa nessa bagunça / Égua manazinha, a única coisa que tu tem de achar é a saída.
- Mas eu também trabalho aqui. / Então arruma o teu lado e cai fora
Caso você ainda não esteja convencida, veja as consequências:
- O papel todo amassado e com marca de café, era importante, onde está??
- O parafuso micorscópico que estava em cima da poeira ali no canto da mesa, onde está?
- Cadê minhas anotações que estavam dentro desse cesto, que parece ser lixo, mas não é??
- Porque tirou o prato de espaguete daqui?? Estava servindo de peso para essas peças até a cola especial secar daqui a 30 dias.
- Claro que aqueles pedacinhos de tecidos eram importantes, e o pior: caríssimos.
- Passei os últimos 10 dias trabalhando nisso e vc deixa jogado aqui em cima da estante!!
- PROCURA… eu quero de volta todas aquelas peças que estavam espalhadas, ou melhor, separadas, por todos os cantos.
JURO SOLENEMENTE, POR DEUS E NOSSA SENHORA DE NAZARÉ, JAMAIS VOLTAR A ARRUMAR O ESCRITÓRIO NEM SOBRE PENA DE TORTURA, NEM SE LÁ TIVER FEDENDO, NEM SE O AR ESTIVER TÃO MOFADO QUE NÃO SE POSSA RESPIRAR, NEM QUE MEU PAI VENHA LÁ DO BRASIL A NADO E MANDE EU FAZER, NEM QUE JESUS VENHA EM CARNE E OSSO AQUI NA MINHA FRENTE E…. bom, essa é melhor não jurar. Mas que eu não faço, ah não faço mesmo!!!!
Up to datando
Passei agora lá na Casa das Loucas e vi que a louca mor está a 30, trinta, TRINTA dias sem fumar. Eu, ex fumante que sou, sei como é largar esse vício. Quem poder, passa lá para dar uma força. P.S: Pressão psicologica tá valendo!!!!



Em 2000 sai de Belém para Alemanha, fronteira da França. Em 2006 cruza a fronteira e se estabelece em um pequeno vilarejo frances. Mãe do Johan Guilherme (16 anos) e Manrique Carlo (6 anos), esposa dedicada (é?) e feliz. Ex-professora atualmente trabalha como executiva (executando tarefas domésticas), blogueira e objeto sexual do marido.















