May 27 2006
O cheiro da morte!
�gua que cheiro mais escroto � esse??? Aquele fresco do zelador n�o deve limpar aqui a entrada a uns 20 anos. Se ele n�o fizer isso logo vou bater l� na porta dele.
Tr�s dias depois, o cheiro j� estava insuport�vel e comecei a perceber (fui farejando a entrada, mesmo at� chegar a porta dele, igual cachorra hehehe) que ele vinha do apartamento em frente ao meu. Chamei o zelador, que j� estava esperando a pol�cia. Ah pronto! A imagina��o da Ci�a e uma boa dose de humor negro, entrou em a��o. Cenas do CSI, Crossing Jordan, sem falar nos programas locais mesmo vieram em minha mente. Luzes piscando, cord�es de isolamento, fot�grafos, televis�o… meu Deus, ser� que minha maquiagem est� em ordem??? Foram uns dez minutos de pura adrenalina, at� a pol�cia chegar e abrir aquela porta…..
Aqui na Alemanha � muito comum as pessoas morrerem sozinhas em suas casas e tem o corpo descoberto semanas depois pelos vizinhos, incomodados pelo cheiro, n�o pela sua aus�ncia. � uma situa��o que sempre achei infal�vel, me d�i profundamente: como ningu�m sente falta dessas criaturas? Cad� a fam�lia? Os amigos?? Os vizinhos? J� havia assistido v�rias vezes na TV essas coisas, mas nunca imaginei acontecer perto de mim. Pois aconteceu na minha frente, literalmente.
Aquele cheiro… nunca vi a morte de perto, mas se ela tiver um cheiro, com certeza � aquele. N�o vou tentar descreve-lo para que vcs n�o fiquem impressionados como eu fiquei, at� pq, n�o tenho palavras para tanto. Mas nunca mais vou esquece-lo. Meu pensamento foi direto aos campo de batalha, as covas coletivas onde foram jogados os judeus durante a guerra e as regi�es atingidas pelo Tsunami. Estive presente a um �nico corpo, morto a tr�s semanas e estou com esse cheiro impregnado no meu nariz, imagine as pessoas que sobreviveram a esses outros infort�nios.
Porra… tr�s semanas, no m�nimo, falou o perito, e ningu�m deu falta desse homem!!!
Aquele cheiro…. por quanto tempo ficar� l� na minha porta?? Com certeza n�o tanto tempo quanto ficar� na minha mem�ria!!
Ao meu vizinho, que a “vida moderna” e a bosta da cultura reservada e discreta t�o almejada s� me permitiu v�-lo uma �nica vez em seis anos, mesmo a gente morando porta com porta minhas ora��es. Que voc� encontre paz e muitas pessoas, seres, entidades, anjos, santos, seja o que for, para te fazer companhia
P.S1- N�o… eu n�o v� o corpo. S� um peda�o do bra�o quando a porta foi aberta.
P.S2- N�o deu para saber se foi “morte morrida” ou “morte matada”. Tiro n�o foi!
P.S3- Deveria est� feliz por n�o consegui comer nada desde ontem… mas n�o estou!
P.S4- A frase que mais ouvi nesse epis�dio: “Essa � a vida”. E eu me pergunto… precisa ser assim??
P.S5- O que me deixou mais assustada � que esse cheiro da morta depois me impregnar por completo, passou a n�o incomodar tanto. As pessoas se acostumam at� com isso.









Em 2000 sai de Belém para Alemanha, fronteira da França. Em 2006 cruza a fronteira e se estabelece em um pequeno vilarejo frances. Mãe do Johan Guilherme (16 anos) e Manrique Carlo (6 anos), esposa dedicada (é?) e feliz. Ex-professora atualmente trabalha como executiva (executando tarefas domésticas), blogueira e objeto sexual do marido.















