Minha cota de livros em português está acabando. Mais três volumes da série “Cavalo de Tróia” e estou sem nada para ler. Peguei o terceiro… lá pela metade descubro que já tinha lido o desgraçado e só aquela altura percebi. Então pensei: “mas tu és muito lesa mesmo não Ciça? Precisa ler o livro até a metade para ver que já tinha lido”. Não… isso quem pensou foi você agora. Eu pensei: “pq é preciso deixar histórias chegarem tão longe para se perceber que são repetições baratas e antigas de outras já vividas?”
Em fim… para não ficar lendo livro duas vezes, fui re-re-re-recatalogar meus livros ontem (Michael e Jan vcs não escreveram nenhum oferecimento que me presentearam, não foi? Feiosos) percebi que neles existe algo muito mais do que uma bela, ou não tão bela história. Teriam os livros alma? Personalidade? Qualidades e defeitos? Estou começando a achar que livros são facilmente comparados com gente:
ARITMÉTICA – é o que lá na minha adolescência alguém definiu como “personalidade vampírica”. Suga sua força, sua energia, sua alma. Mesmo quando tem manda ir embora, seu tom é de “eu sei que você não pode me abandonar”. Você sempre espera que algo aconteça e mude toda a situação, mas o fim chega e a chatice permanece.
O CLONE DE CRISTO – apresenta argumentos sólidos, um discurso polido e de princípios, mas em seu íntimo vc sente algo de obscuro rondando a pessoa, ou melhor, o livro, que você não consegue identificar. Um comentário sem sentido, uma palavra mal colocada. Como todo livro precisa de um final, nele podemos quase sempre descobrir o que se trata, mas na vida real pode-se passar anos e anos até a verdade vir a tona.
AMAMENTAÇÃO COM BASES – muito bom para ser seu. Nunca conhecestes ninguém que se achava bom demais para ser seu amigo? Pois é esse livro. Toda vez que vou compra-lo acontece alguma coisa e ele me dá uma rabiçaca deixando-me no chão. E a gente fica até com medo de insistir e ele fazer confusão com os outros na estante!
MALU DE BICICLETA – o nojento acha que o mundo tem de girar em torno dele e você tem de fazer tudo para agrada-lo. Não te deixa em paz enquanto não terminar de ler e te persegue na sala, cozinha, banheiro… quando você percebe, está acordando as três da manhã para lê-lo mais um pouquinho. E o pior é que a história nem é tão boa assim.
HARRY POTTER – o mesmo caso acima, porém, essa história vale a pena!
O ESTORVO – tinha tudo para vencer na vida: uma bela casa, família estruturada. Pais maravilhosos, inteligentes, educados e politizados que o criaram com muito carinho. No entanto o pequeno é um cú e vc começa a se perguntar COMO uma COISA daquelas pode ter nascido naquela família.
O DOCE VENENO DO ESCORPIÃO – exatamente o oposto do exemplar acima citado. Tinha tudo para se fuder na vida, aliás, porém com um golpe de mestre dá a volta no destino fica rica, famosa se aposenta e começa a usar somente a cabeça para vencer na vida.
MEMÓRIAS DE MINHAS PUTAS TRISTE – parecido com outro acima citado. Por conta do pai que tem, esperava um pouco mais do conjunto da obra. Um aparte: fiz esse comentário um dia no Viver e a pequena me mandou ler A casa dos Budas ditosos. na hora achei melhor me fazer de lesa e deixar pra lá, mas aqui posso: senti falta das MEMÓRIAS e não da PUTAS. Deu pra entender??
E por falar no diabo LUXÚRIA, A CASA DOS BUDAS DITOSOS – você sabe que é imoral, mas como não é ilegal, não engorda e não faz mal a ninguém… como diria uma amiga: “Sendo o estupro inevitável, relaxa e goza”. Aliás, depois de ler esse livro essa não é uma tarefa muito difícil… gozar, não o estupro seus bando de égua!!!
Então??? São livros pessoas, ou são pessoas livros? Reconheceu alguém? ou será que você tem suas próprias interpretações de livros/pessoas??